EZ Trade Center - Redução de Custos
Como diminuir custos sem cortar no pessoal
2018-06-13
Um dos maiores erros que as empresas cometeram durante a recente crise foi o layoff em larga escala de pessoas para diminuir custos. O comportamento subsequente do preço das acções comprovou a sua impopularidade entre os investidores, enquanto vários estudos ao longo da última década demonstraram o precedente dos seus efeitos negativos e de longo prazo no desempenho das empresas. Já para não falar nas consequências adversas do layoff numa imensidão de empregados e suas famílias.

De facto, e de acordo com os especialistas, os últimos dois anos de quase 1 milhão de layoff em massa ameaçaram uma recuperação económica significativa. Não obstante, e apesar dos avisos generalizados, todas as grandes empresas, desde a Amazon ao Yahoo decidiram cortar, alegando que os layoffs em larga escala eram a única arma eficaz que tinham para responder a grandes dificuldades.

Mas será isto verdade? É certo que as despesas com salários tendem a ser a grande fatia do resultado financeiro da maioria das empresas. Contudo, as empresas também enfrentam custos significativos relacionados com enganos, erros, acidentes e eventos externos inesperados. Conhecidos normalmente como “riscos operacionais”, estes custos são substanciais mas, se geridos adequadamente, podem reduzir substancialmente o resultado financeiro com poucos efeitos colaterais negativos.

Por exemplo, estimativas da Mercer e outros indicam que as perdas só para os riscos principais (isto é, acidentes laborais, roubos, etc.) excedem os 85 mil milhões de dólares anuais; de facto, o que ultrapassa em muito os cerca de 40 milhões de dólares que as empresas americanas esperavam poupar durante os últimos dois anos de remoção de empregados. Portanto, até uma redução gerida destes riscos em 50% teria obtido a mesma poupança que o corte de pessoas mas sem as consequências.

É claro que reduzir custos gerindo riscos operacionais requer uma mudança de mentalidade, uma estratégia mais abrangente e uma mudança de percepção. A visão de custos estática, de “contabilidade” por itens (isto é, exacta) deve ser substituída por uma visão de custos mais humana, dinâmica e variável (isto é, incerta) que reconhece o despedimento de pessoas como um último recurso que implica perda de valores. Também seriam necessários mecanismos e métricas para aferir e avaliar custos operacionais.

As empresas maiores têm sorte dado que muitas já microgerem riscos operacionais algures na empresa. Por exemplo, os acidentes de trabalho são normalmente geridos pelo departamento de recursos humanos, os problemas operacionais são geridos pelo departamento de operações, as dificuldades e interrupções de TI pelo departamento TI, etc. Contudo, a maioria destes esforços, mesmo quando incorporados nas estruturas de gestão de risco da empresa, são geralmente fragmentados e estáticos. Para gerir eficazmente os riscos operacionais, contudo, estes devem ser activa e totalmente geridos.

No entanto, fazê-lo é possível. Os gestores poderão comparar uma estratégia de redução de custos relacionada com riscos operacionais com a estratégia de corte de pessoal, utilizando três passos abrangentes (muito rudimentares):

1. Começar com uma definição e recolher alguns dados
Aplicar uma definição padrão para risco operacional em todas as áreas de negócio (isto é, “erros relacionados com pessoas, processos, sistemas e eventos externos”, etc.). Se este âmbito for demasiado abrangente, considere realizar um estudo-piloto de apenas uma unidade de negócio principal e representativa; se não o fizer, escolha uma categoria de perdas principal (como a de acidentes no local de trabalho) e calcule a magnitude dos custos para a empresa durante um certo período: por exemplo, um mês, trimestre ou ano. Embora nem todos os eventos tenham dados registados (ou até mesmo impacto), será suficiente centrar-se simplesmente em reunir dados para aqueles que têm.

2. Criar e avaliar uma métrica 
Para aqueles com dificuldades em estatística, a métrica mais simples é um sistema scorecard inspirado na análise SWOT, que “classifica” as perdas em duas dimensões: probabilidade de ocorrência e custo. Com base nos números e discussões com os especialistas da área de negócio, poderá decidir que perdas são das categorias baixa (probabilidade)-baixo(custo), média-médio, alta-alto e de todas as combinações intermédias. Tenha por objectivo perceber como tornar situações média-alto ou alta-alto em situações baixa-média, baixa-baixo através de alguns tipos de controlos ou melhor gestão, assim como os custos associados a fazê-lo.

3. Comparar o corte de custos relacionados com riscos operacionais com o corte de pessoal
Agora conhece a localização, escala e magnitude dos riscos operacionais (assim como os meios e custos para os reduzir) assim como os controlos para os reduzir. Pode, portanto, comparar directamente os benefícios de o fazer com os benefícios estimados de cortar simplesmente o pessoal. Contudo, considerando que cortar pessoal acarreta consequências negativas e difíceis de determinar, o verdadeiro problema é se alguma das medidas de corte de custos (ou uma combinação de medidas) é suficiente para fazer com que a empresa regresse à rentabilidade imediata. 

Para algumas empresas (especialmente muitas startups) os riscos operacionais são, reconhecidamente, menores em termos de custos relacionados com despesas salariais. No entanto, para muitas outras, gerir riscos operacionais mais eficazmente em vez de cortar pessoal não é só mais viável: representa uma forma mais sensível e humana de reduzir os custos totais.

Texto elaborado por Dinheiro Vivo, por Maurice Ewing.



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