Custos escondidos: o consumo de energia
2018-02-02
“Um dos mecanismos essenciais de uma qualquer plataforma distribuída consiste na validação da informação que é admitida na plataforma, a qual resulta da execução de determinadas operações com variável complexidade e custo de execução, dependendo da dimensão da rede e do tipo de acesso admitido”, explica Paulo Rodrigues, responsável de tecnologias global para o sector financeiro na IBM Global Markets, IBM Portugal.

Isto é, as transacções são validadas através de um processo chamado mineração (do inglês mining). Bruno Padinha, partner da EY, explica que, aquando de “uma nova transacção, os participantes na rede de blockchain irão trabalhar na resolução da função matemática inerente à codificação “criptográfica” dessa transacção. O primeiro participante da rede a fazê-lo gera a aprovação da transacção e a consequente inclusão desse registo num bloco da blockchain”.

A título de exemplo, no caso da bitcoin, “o código informático base prevê que a complexidade da equação matemática se adapte automaticamente de acordo com a capacidade de processamento da rede. Assim sendo, quanto maior for o número de participantes na rede (i.e., quanto maior a capacidade de computação) maior será a complexidade do processo de mineração”. Naturalmente, esta capacidade de computação tem custos: é necessário um maior investimento em ativos tecnológicos (como placas gráficas, processadores, refrigeração, entre outros) para minerar novas moedas e ter um papel ativo na rede, bem como um maior investimento em energia elétrica”, assinala Bruno Padinha.

Deste modo, “a estimativa atual de consumo elétrico para mineração de bitcoin situa-se entre os 35 e os 40 TWh”. Padinha assinala, para se ter ideia da ordem de grandeza, que “o consumo de energia elétrica em Portugal em 2015 foi de 46 TWh”, de acordo com a Pordata.

Rui Duro, diretor de vendas da Check Point Portugal, estima que “uma única transação bitcoin use tanta energia quanto a média semanal de uma casa americana”.

Nuno Miguel Laginha, consultor na CGI, explica que, pelo menos em relação à bitcoin, o “esforço para minerar”, ou seja, “a capacidade de processamento de dados, em grande escala, exige muita energia que em alguns casos (senão na maioria) é fóssil. Deste modo, o custo/benefício da ‘mineração’ de bitcoin é negativo, ou seja, se o resultado é inferior ao custo da energia necessária para minerar bitcoin (ou outra criptomoeda), significa que o indivíduo não só está a perder dinheiro como também a consumir recursos desadequadamente, e isto é muito comum acontecer”

Medidas regulatórias e plataformas privadas

Para o efeito, alguns “governos estão a preparar medidas regulatórias no sentido de conter a pressão que a mineração trouxe à produção elétrica dos seus países”. É o caso da China, que se tem começado a posicionar política e publicamente no sentido de restringir estas atividade, afinal, “70% da atividade mundial de mineração de bitcoin é feita na China atualmente”.

Entretanto, estão a ser desenvolvidas variantes de blockchain em que a capacidade de processamento necessária para validar registos na cadeia é significativamente menor, como é o caso da litecoin, adianta Bruno Padinha.

Mas nem sempre o consumo é excessivo. Se a plataforma blockchain for pensada para empresas em mercados regulados, “a participação é controlada e o acesso requer identificação, o que efectivamente reduz as necessidades operacionais e permite a utilização de algoritmos mais eficientes, que asseguram a mesma protecção e resiliência e ainda permitem executar maiores volumes de transacções”, defende o porta-voz da IBM.

Texto elaborado a 20 de Janeiro de 2018 por Jornal Económico.
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