400 empresas testam novas tarifas da luz ‘a la carte’
2017-04-26
A ERSE vai testar duas novas tarifas, mais dinâmicas e adaptadas aos perfis de consumo dos clientes, em quatro projetos piloto.

Imagine que recebe um SMS a avisar que daí a dois dias, a uma determinada hora, o preço da luz vai ficar mais caro devido a um aumento do consumo na rede elétrica. Com esta informação pode, por exemplo, evitar pôr máquinas a trabalhar e assim poupar na fatura da luz ao final do mês. Este é o cenário futuro traçado pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) que, já a partir de 1 de janeiro de 2018, vai testar dois novos tipos de tarifas, mais dinâmicas e adaptadas aos perfis de consumo dos clientes, num conjunto de quatro projetos piloto (dois em Portugal continental, um na ilha da Madeira e outro na ilha de São Miguel, nos Açores) que envolverão cerca de 400 empresas portuguesas – 100 em cada projeto. “Porquê estes universos? Para implementarmos estes novos tipos de tarifas são necessários smart meters [contadores inteligentes] e nos consumidores empresariais essa tecnologia já está instalada. Queremos testar sim, mas minimizando os custos de implementação. O objetivo são novas tarifas que permitem interagir de forma mais dinâmica com os consumidores, via SMS, por exemplo”, explicou Pedro Verdelho, Diretor de Tarifas e Preços da ERSE, ao Dinheiro Vivo, na conferência Desafios da Gestão Ativa da Procura de Energia, organizada pela Universidade da Beira Interior. 

A participação destes consumidores industriais (de média tensão para cima) nos testes da ERSE é facultativa e irá prolongar-se por 12 meses, para testar a possibilidade de introduzir novos preços de eletricidade que variem em função de múltiplos fatores: a hora e o dia de consumo, os meses do ano, entre outros. Isto significa que, em vez de apenas poderem optar pela tarifa simples, bi-horária ou tri-horária, os consumidores terão à sua disposição as chamadas tarifas dinâmicas, com uma maior amplitude de preços face ao cenário atual. “Neste momento, ainda temos 20% da procura a ser orientada por tarifas simples, sem que o preço da energia tenha diferenciação horária”. Hoje, diz Pedro Verdelho, “temos todos os dias úteis do ano quatro preços de energia, que não têm sazonabilidade e não variam ao longo dos meses do ano”. Pelo contrário, em 2018 estarão em teste “dois novos conjuntos de tarifas”, a começar por uma, mais estática e definida com um ano de antecedência, mas que apresenta no entanto mais complexidade e seis preços de energia diferentes ao longo do ano (permitindo sinalizar as diferenças entre verão e inverno), com os valores mais elevados a coincidirem com os períodos de maior procura. A segunda tarifa em teste será mais sofisticada e mais dinâmica, com os períodos mais críticos de procura a serem sinalizados juntos dos clientes pelos operadores de redes de distribuição de eletricidade. “Isto permite informar os consumidores com antecedência, dois dias antes, por exemplo: atenção que naquele dia, àquela hora, vamos ter um período crítico. O que possibilita aos consumidores retirarem o consumo dessas horas e reduzirem gastos. É uma forma mais inteligente de orientar a procura no setor elétrico”, defende Pedro Verdelho, avisando que a alteração de tarifas é “um processo a longo prazo”, mas garantindo que “daqui a uns anos será possível introduzir estas tarifas dinâmicas também no mercado doméstico”. Pondo a tónica do lado dos consumidores, o responsável da ERSE salientou que, no segmento doméstico, “alguns consumidores estarão interessados neste tipos de preçários, mas outros não”. “Por isso temos de manter a tarifa simples para a grande maioria, mas não se pode excluir outras opções”. O futuro, diz o responsável da ERSE, passa por “levar os consumidores a aceitarem tarifas mais sofisticadas para reduzir o consumo de eletricidade nas suas casas”. E dá um exemplo prático: “Quando vemos uma torneira a pingar corremos para a fechar, mas quando vemos uma lâmpada acesa ainda temos muita dificuldade em medir esse consumo”.

Fonte: Dinheiro Vivo
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