Sector dos média em Angola tornou-se apetecível para privados internos e internacionais.

O mercado da comunicação social em Angola expandiu-se nos últimos dois anos, tendo-se tornado apetecível quer para os grupos internos quer para os internacionais, com especial destaque para os portugueses, que têm desenvolvido vários novos projectos nesse país.

Nos últimos anos, novos grupos angolanos multiplicaram os órgãos de comunicação social existentes em Angola.
O primeiro a iniciar a nova expansão foi o semanário Novo Jornal, lançado no início de 2008 pelo grupo New Media, que é detido em 30% pela ESCOM (do grupo Espírito Santo) e que traçou como objectivo tornar-se numa referência na comunicação social angolana.

Também o grupo Score Media se propôs tornar uma referência no mercado, tendo lançado, em parceria com a portuguesa Económica – dona do Semanário e Diário Económico – o título económico Expansão.

"Ainda estamos numa fase de penetração no mercado, mas já superámos as expectativas", adiantou à Lusa Victor Fernandes, explicando existir em Angola "uma apetência muito grande por informação económica".

Por isso, acrescentou, o grupo está já a expandir o título para todo o país.
A imprensa não é, no entanto, a única aposta do Score Media.

"Estamos à procura de parceiros com know-how em rádio e televisão para queimarmos etapas" e "lançar uma rádio já este ano e uma televisão mais para a frente", avançou à Lusa.

Ao mesmo tempo, o Media Nova, dirigido por Álvaro Torre, prepara o lançamento de um semanário económico até final deste ano, essencialmente dedicado às empresas angolanas.

Este lançamento junta-se a outros títulos já detidos pelo grupo, como a TV Zimbo – lançada com a ajuda da TVI e da NBP –, o semanário O País, a Rádio Mais e empresas na área da impressão, distribuição e publicidade.

Por outro lado, o Media Nova ajudou a lançar o desportivo A Bola em Angola porque "o futebol une toda a gente", como referiu Álvaro Torre numa entrevista ao jornal Meios e Publicidade.

"Queremos liderar o mercado angolano em termos publicitários e ser a referência em termos de media", acrescentou na mesma.

Recentemente, Álvaro Torre anunciou também ter concluído um acordo com a editora brasileira Abril para lançar a revista de economia Exame em Angola.

Refira-se que nenhum destes grupos de media privados informou quem são os seus investidores principais.

Apesar da "explosão" do sector privado nos média, o Estado ainda é o maior proprietário da comunicação social em Angola.
O Estado detém o único jornal generalista do país, o Jornal de Angola, que foi durante muitos anos o único diário do país, e o Jornal dos Desportos.

No sector da televisão, Angola conta com dois canais públicos – o TPA1 e o TPA2, ambos em sinal aberto –, tendo ainda vários emissores regionais que transmitem os TPA nas províncias e canais externos recebidos via satélite como é o caso da RTP Internacional e da SIC Internacional.

Também no sector da rádio, o Estado é o grande agregador de frequências, com a Rádio Nacional de Angola a deter 18 emissoras (uma em cada capital de província), além de algumas emissoras regionais e postos fixos.

Além desta, existem ainda rádios privadas como a LAC, a Rádio Morena, a Rádio Comercial de Cabinda, a Rádio 2000, a Ecclésia, a Despertar, entre outras.

O Estado detém também a agência de notícias angolana, a Angop, mas estão presentes no território outras agências como a Lusa, a Reuters, a Efe ou a Chinhua.

Nos últimos tempos, o Estado angolano decidiu também lançar um novo canal de televisão dedicado à informação e inserido no grupo da estação pública TPA, tendo pedido ao ex-director-geral da SIC e da RTP, Emídio Rangel, que concebesse o projecto.

O canal, concebido com o objectivo de emitir para todos os países de língua oficial portuguesa, já está pronto, segundo assegurou à Lusa Emídio Rangel, lembrando que a decisão de o lançar cabe ao governo daquele país.

"Fiz um projecto a pedido deles, agora [o lançamento] acontecerá quando eles quiserem", referiu, adiantando continuar "disponível para ajudar".

Admitindo que os projectos dedicados à informação enfrentam "sempre mais complicações em Angola", Rangel explicou que o canal que concebeu "pretende "transmitir notícias sobre o continente africano para todo o mundo".

Numa primeira fase, adianta, "o canal seria só falado em português, mas passado três anos seria em inglês e francês também".

O projecto deveria ter sido lançado a seguir às eleições legislativas em Angola, realizadas em Setembro passado, mas quase um ano depois, continua sem data prevista para início das emissões.

Angola é ainda um destino interessante para muitas outras empresas do sector, como é o caso da Zon Multimédia (dona da TV Cabo), que já anunciou o seu interesse em investir nesse país, além da proprietária do jornal Sol (a Newshold), a empresa de estudos de mercado Marktest ou as agências de comunicação LPM e Cunha Vaz&Associados.

 

  

3/07/09
OJE/Lusa

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