Vinhos lusos atrevem-se no Canadá.
Dezoito produtores uniram-se para "salvar" o país num festival em que Portugal esteve em foco.
Apesar de Portugal ter tido honras de país convidado num festival realizado na última semana em Montreal, Canadá, o Estado falhou nos apoios solicitados, mas um grupo de produtores de vinho acabou por reunir uma representação considerável e "salvar a face" do país.
Há um ano, os organizadores canadianos do festival anual "Montréal en lumiére", de gastronomia e arte, decidiram que, este ano, Portugal seria o país convidado, muito por influência de um português residente em Montréal, Carlos Ferreira, proprietário de um restaurante e tido como um "embaixador" da gastronomia e vinho portugueses.
A direcção do festival formulou esse convite a Portugal, através da embaixada no Canadá, solicitando o apoio de 70 mil euros. Dos vários organismos públicos contactados na altura, todos negaram ou nem sequer responderam, à excepção do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto que deu cerca de 20 mil euros, segundo Pedro Lopes Vieira, da Herdade do Esporão. Sem os apoios necessários, quatro portugueses que se encontravam nessa altura em Quebec assumiram, com Carlos Ferreira, organizar um grupo alargado de produtores de vinho e da gastronomia e cultura nacionais e financiar o custo dessa presença, prosseguiu Pedro Lopes Vieira, um dos quatro impulsionadores, juntamente com Cristiano van Zeller, da Quinta Vale D. Maria, Miguel Roquette, da Quinta do Crasto, e João Álvares Ribeiro, da Quinta do Vallado. Juntos conseguiram reunir 18 produtores e levar 21 chefes de cozinha, além de figuras da cultura, como Mísia, Ana Moura e Maria de Medeiros.
Pedro Lopes Vieira acentua que o objectivo era "criar uma imagem de Portugal associada a qualidade, organização e competência", num país onde se insere o maior comprador de bebidas alcoólicas do Mundo (Liquor Control Board of Ontario). Estima-se que Portugal tenha exportado três milhões garrafas para o Canadá, em 2009.
Jornal de Noticias
05/03/10