Pequim 2008: Bilhetes nominais e aumento dos preços "arrefecem" procura turística

Pequim espera acolher 4,5 milhões de turistas durante os Jogos Olímpicos, entre 08 e 24 de Agosto, mas o facto de os bilhetes serem nominais, aliado ao aumento dos preços de viagens e alojamento, tem provocado desmarcações de reservas.

“Os turistas inscritos na agência para o período dos Jogos Olímpicos diminuíram, ao contrário do que estava previsto”, disse à Agência Lusa uma funcionária do departamento de marketing da agência de viagens China International Travel Service Limited (CITS), que tem mais de 122 filiais na China.

Segundo a funcionária, que se identificou apenas pelo apelido Wen, “os bilhetes para os Jogos Olímpicos são vendidos com nome fixo e, por isso, houve turistas que desmarcaram a sua viagem, porque não conseguiram bilhetes”.

“Além disso os preços de hotel, dos bilhetes de avião e dos serviços de guia aumentaram”, sublinhou a fonte da CITS.

O número de turistas estrangeiros aumentou sete por cento desde que Pequim ganhou a organização dos Jogos, em 2001, e as previsões oficiais apontam para que a indústria turística cresça 8,7 por cento entre 2007 e 2016.

“O plano turístico olímpico desenvolvido pelo Gabinete Municipal de Turismo de Pequim apostou na construção de locais turísticos, na criação de produtos turísticos e em esforços de marketing para fazer de Pequim uma cidade de primeira classe e a principal cidade turística da China”, lê-se na página oficial dos Jogos Olímpicos.

Só em 2007, surgiram na cidade 2.500 novos quartos de hotel a pensar no fluxo de turistas atraídos pelos Jogos Olímpicos.

Mas no final de Maio o Gabinete de Turismo de Pequim informou que apenas 77 por cento dos quartos dos hotéis de cinco estrelas estavam ocupados, que só 44 por cento dos de quatro estrelas tinham sido reservados e que a taxa de ocupação era ainda inferior nos de três e duas estrelas.

As restrições à emissão de vistos imposta pelo governo chinês, que está a dificultar a entrada de estrangeiros na China, também pode justificar a menor taxa de ocupação.

Mas a funcionária da CITS não tem dúvidas de que os visitantes vão preferir visitar a capital chinesa depois dos Jogos.

“O mercado do turismo está melhor, os preços vão diminuir e Pequim é agora uma cidade internacional”, referiu, citando os exemplos Barcelona e Sydney como cidades que se tornaram mais apelativas depois de organizarem os Jogos Olímpicos.

De acordo com os especialistas, a indústria do turismo é que mais vai beneficiar directamente da transformação da cidade e os maiores grupos hoteleiros de Pequim não têm dúvidas de que os turistas ocidentais vão continuar a enchê-la mesmo depois dos Jogos.

“Pequim será um grande centro metropolitano como Londres, Paris e Tóquio”, disse à Lusa Zheng Xuejin, administradora do hotel Ritz, de cinco estrelas.

Em dois anos, a cadeia de hotéis Marriot International construiu oito novos hotéis com 3.000 quartos, incluindo o JW Marriott e o segundo Ritz-Carlton em Pequim, no novo centro financeiro da cidade.

“Obviamente que a indústria hoteleira vai ter muito trabalho durante os Jogos Olímpicos”, afirmou Geoff Garside, vice-presidente executivo da cadeia Marriott para a Ásia-Pacífico.

“O mesmo acontecerá depois dos Jogos, à medida que mais turistas e empresários vão querer visitar a China para ver o que se passa em Pequim. Vamos assistir a uma enchente no final deste ano”, acrescentou.

31/07/2008
Fonte: Lusa