Líderes da UE lançarão novo ciclo de estratégica económica

Os líderes dos 27 lançarão, em Bruxelas, um novo ciclo da estratégia de modernização da economia que pensam que tem gerado resultados positivos e protegido os europeus das turbulências dos mercados internacionais.

 

A habitual Cúpula da Primavera da União Europeia (UE), na qual participará o primeiro-ministro português José Sócrates, também irá avalizar o ambicioso plano europeu de luta contra as alterações climáticas, que inclui objectivos de redução das emissões de gases com efeito de estufa e de utilização de energias renováveis.

A reunião de chefes de Estado e de governo dos 27 acontece todos os anos em Março desde que em 2000, na capital portuguesa, foi lançada a chamada "Estratégia de Lisboa" para modernizar a economia europeia com o objectivo de ultrapassar, até 2010, o dinamismo e o desenvolvimento da economia norte-americana.

Segundo fonte diplomática, a mensagem principal dos líderes será que "apesar das turbulências económicas recentes, as reformas estruturais introduzidas pela Estratégia de Lisboa estão a funcionar e têm protegido os 27".

Os líderes irão lançar um novo ciclo de três anos (2008-2010) da Estratégia, que sofreu uma revisão em 2005.

De acordo com uma cópia do projecto de conclusões da cúpula obtido pela Agência Lusa, "os dados económicos fundamentais da União Europeia mantêm-se sólidos".

Os chefes de Estado e de governo vão destacar que "os défices públicos foram reduzidos em mais de metade desde 2005 e a dívida pública também desceu" e que "o crescimento económico atingiu 2,9% em 2007, mas será provavelmente inferior no ano em curso".

No entanto, "as perspectivas económicas mundiais deterioraram-se recentemente" na sequência de uma desaceleração da actividade económica nos Estados Unidos, do aumento dos preços do petróleo e das matérias-primas e das actuais turbulências dos mercados financeiros, reconhecem os 27.

Os líderes vão assim apontar o caminho a seguir: "prosseguir os esforços de reforma através da aplicação integral dos Programas Nacionais de Reforma e das Orientações Integradas para o Crescimento e o Emprego".

O primeiro-ministro esloveno pediu ao presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, para apresentar aos chefes de Estado e de governo, na primeira sessão de trabalhos da cúpula, o seu ponto de vista sobre o lançamento do novo ciclo da Estratégia de Lisboa, e ainda "abrir a discussão" sobre o último pacote de propostas do executivo comunitário sobre a energia e o ambiente.

A Comissão Europeia apresentou em Janeiro passado um pacote de medidas de luta contra o aquecimento global, esperando o sucesso das negociações internacionais para um acordo pós Protocolo de Quioto de redução das emissões de gases nocivos.

As propostas incluem, entre outros elementos, a revisão do sistema europeu de comércio de emissões e a redução de CO2 (dióxido de carbono) que cada Estado-membro deve realizar nos próximos anos.

"A Europa está empenhada em conservar a liderança internacional nas questões relacionadas com as alterações climáticas e a energia", destaca o projecto de conclusões, acrescentando que "o ambicioso pacote de propostas apresentadas pela Comissão (…) constitui um excelente ponto de partida e uma boa base para um acordo".

Os líderes europeus deverão comprometer-se a chegar, até ao fim do ano, a uma repartição da carga nacional de redução das emissões de gases poluentes para que, no seu conjunto, a UE atinja a meta de diminuição de 20% (em relação a 1990) até 2020.

Segundo a proposta de Bruxelas, Portugal poderia mesmo aumentar em 1% as emissões de gases poluentes nos sectores não abrangidos no Comércio Europeu das Licenças de Emissão (CELE), como o dos transportes.

Por outro lado, os chefes de Estado e de governo dos 27 também irão mostrar que estão dispostos a intervir para assegurar a estabilidade dos mercados financeiros, que, depois da turbulência do ano passado, continuam frágeis.

"Para assegurar uma maior estabilidade dos mercados financeiros, é também necessário tomar medidas para reforçar a sua transparência e funcionamento e para melhorar o quadro regulamentar e de supervisão a nível nacional, da UE e a nível mundial", indica o documento de conclusões da cúpula.

A fonte diplomática considerou que se trata de uma reunião entre chefes de Estado e de governo "pacífica" e que "não há pontos de conflito".