G20: Cimeira acorda inverter recessão e apresenta medidas para evitar futuras crises – comunicado final
Os líderes dos países mais industrializados e emergentes (G20) reunidos hoje em Washington acordaram inverter a tendência de recessão global e prevenir futuras crises, destaca o comunicado final da cimeira.
Os líderes dos países mais industrializados e emergentes (G20) reunidos hoje em Washington acordaram inverter a tendência de recessão global e prevenir futuras crises, destaca o comunicado final da cimeira.
O G20, responsável por quase 90 por cento da economia do planeta, assegurou que "serão tomadas medidas adicionais para estabilizar o sistema".
"Estamos determinados a melhorar a cooperação e a trabalhar juntos para restabelecer o crescimento e avançar com as necessárias reformas", diz o texto.
Em sintonia com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, promotor desta cimeira do G20, e com a chanceler alemã, Angela Merkel, o comunicado dá o prazo de 31 de Março para a apresentação de propostas no sentido da regulação global, vigilância e transparência dos mercados.
Os ministros das Finanças do G20 foram confrontados com o imperativo de elaborarem uma lista de acções prioritárias a apresentar a 31 de Março - tendo em conta a posse do novo presidente norte-americano, Barack Obama, a 20 de Janeiro de 2009 -, de modo a se reunirem um mês depois, a 30 de Abril, em Londres, segundo Nicolas Sarkozy.
O comunicado realça igualmente a adopção de "medidas com rápido efeito sobre o aumento do consumo interno, assegurando, por outro lado, a sustentabilidade do sistema fiscal".
Sobre a regulação de veículos opacos de investimentos, problema que estará no cerne desta crise, a cimeira não quis ir demasiado longe, preferindo apontar para uma "regulação eficaz", que "não sufoque a inovação e estimule o aumento do comércio de produtos e serviços financeiros".
Em linha com as teses norte-americanas, o G20 lançou um alerta contra o proteccionismo e deu "luz verde" ao reatamento das negociações de Doha, no quadro da Organização Mundial do Comércio (OMC), iniciadas em 2001 e interrompidas desde Julho em Genebra, Suíça.
Foi decidido dar um maior peso aos países emergentes no Fundo Monetário Internacional (FMI) e no Banco Mundial (BM), instituições que se comprometeram a adoptar um dispositivo de "alerta precoce" para prevenir uma repetição de situação de crise como a actual.
O G20 insistiu em que a regulação do mercado interno deve ficar à responsabilidade de cada país, sendo precisa uma harmonização para evitar problemas de desestabilização além fronteiras.
O documento vinca que "os reguladores devem garantir o respeito pelas regras do mercado, evitar impactos adversos noutros países, bem como acatar a arbitragem, admitir a concorrência, o dinamismo e a inovação".
Para prevenir "riscos excessivos", o plano de acção do G20 insta a uma maior transparência nos complexos instrumentos financeiros.
O colectivo frisou que fará uma vigilância aturada sobre as agências de notação financeira, em consonância com o código de conduta aprovado e reforçado.
"Comprometemo-nos a proteger a integridade dos mercados financeiros mundiais, a evitar os conflitos de interesses, a prevenir manipulações ilegais, actividades fraudulentas e abusos, e a zelar pelos riscos decorrentes de jurisdições não-cooperantes", diz o comunicado.
17/11/08
Fonte: Agência Lusa