Comércio mundial atingiu nível mais baixo desde 2ª Guerra, diz OMC.
O volume do comércio mundial caiu cerca de 12% em 2009 - o maior retrocesso desde a 2ª Guerra Mundial -, afirmou nesta quarta-feira o director-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy.
Em discurso no Centro Europeu de Políticas, em Bruxelas, o francês afirmou que a principal explicação para o acentuado declínio foi a redução simultânea da procura nas maiores economias do planeta devido a crise económica mundial.
"A escassez de financiamento neste período também foi um factor contribuinte. Em um grau muito mais baixo, o comércio também foi afectado adversamente por alguns factores como aumento de tarifas e subsídios domésticos, novas medidas tarifárias e mais acções anti-dumping", analisou Lamy.
O economista começou o discurso afirmando que os tempos "não são fáceis", lembrando que a redução do Produto Interno Bruto (PIB) mundial foi estimada em 2,2% em 2009.
Fantasma do proteccionismo.
Lamy também comentou que o desemprego global bateu o seu recorde histórico no ano passado, atingindo, segundo estimativa da Organização Internacional para o Trabalho (OIT), a mais de 200 milhões de pessoas em todo o mundo.
Em tom mais optimista, o francês afirmou que, por outro lado, os temores de que a crise mundial levaria a uma volta do proteccionismo económico se provaram infundados.
"Até o momento, o sistema de comércio multilateral provou a sua solidez como um baluarte contra o proteccionismo descontrolado."
O director-geral da OMC lembrou ainda que os pacotes de socorro económico em vários países foram "instrumentais" para evitar que a queda fosse ainda maior.
No entanto, Lamy disse que ainda não ficou claro se algumas das medidas introduzidas como forma de estímulo à economia também contêm mecanismos que favoreceriam produtos e serviços domésticos em detrimento das exportações.
Ele lembrou também que o impacto positivo dos pacotes de ajuda é passageiro e que as preocupações sobre os enormes deficits orçamentários estão cada vez maiores.
"As economias precisam urgentemente de outras fontes de crescimento. Motores sustentáveis de crescimento que não acrescentem dívidas às nossas economias já gravemente endividadas", disse o francês.
Para Lamy, é neste ponto que o comércio pode ser um factor importante tanto em longo quanto em curto prazo.
Segundo ele, o comércio poderia ser um factor importante para o progresso tecnológico, ao estimular inovações, facilitar a transferência de tecnologia, além de "aumentar a qualidade de instituições levando à adopção de certas normas institucionais".
Já para curto e longo prazo, o comércio poderia, segundo o economista, actuar como um amortecedor para economias, principalmente de países desenvolvidos, que enfrentam baixa demanda no sector doméstico nesta fase de recuperação da economia.
Além disso, segundo Lamy, o comércio pode aumentar a renda e a produção através de ganhos provenientes da especialização baseada em vantagens comparativas, concorrência e acesso a outros mercados.
O director-geral da OMC também afirmou que exportações podem estimular o crescimento económico e a renda, principalmente em países desenvolvidos especializados em produtos com alto valor agregado.
GLOBO
24/02/2010