Mota-Engil concorre à plataforma logística de Leixões

Administração do porto quer lançar concurso até Março de 2009. Sector da logística está em alta.

Administração do porto quer lançar concurso até Março de 2009. Sector da logística está em alta.

O presidente da Mota-Engil, António Mota, garantiu ao Diário Económico que “o grupo vai concorrer à concessão” da gestão da plataforma logística de Leixões. O concurso público, que segundo Matos Fernandes, presidente da APDL (gestora do porto), deverá estar pronto até Março de 2009, deverá prever que o concessionário responda pelo investimento nas infra-estruturas e em algumas super-estruturas, como edifícios de serviços e armazéns.

O interesse de António Mota na plataforma logística de Leixões confirma o apetite crescente de empresas privadas, não só em desenvolver os seus próprios projectos, mas também em participar nas plataformas integradas no projecto governamental Portugal Logístico, cujo investimento actualizado deverá ascender a 1.600 milhões de euros.

Hoje, o grupo Luís Simões (GLS) inaugura, numa cerimónia presidida pelo Presidente da República, o Centro de Operações Logísticas do Futuro, no Carregado. O novo armazém tem 20 mil metros quadrados de área, 19 metros de altura e cerca de 376.884 metros cúbicos de capacidade de armazenagem.

Contactado pelo Diário Económico, o GLS mostrou- se indisponível para adiantar mais pormenores sobre este projecto.

Também esta semana (3ªfeira), o grupo internacional MSC vai apresentar publicamente um novo projecto logístico, no Carregado. Como estão em curso as obras para a plataforma logística de Castanheira do Ribatejo, da responsabilidade do grupo espanhol Abertis, com um investimento calculado em 265 milhões de euros, passará a haver a curto-prazo mais três unidades logísticas na zona de influência da Grande Lisboa, o que poderá dificultar a viabilidade económica de alguns destes projectos.

Concorrência ou complementaridade?

Não é esse o entendimento da secretária de Estado dos Transportes. Para Ana Paula Vitorino, as plataformas privadas, “nem são concorrentes nem complementares, são outra coisa”. “Os grandes grupos têm interesse em ter as suas plataformas logísticas”, fazendo estas estruturas parte dos utensílios de gestão de cada empresa. “As estruturas do Portugal Logístico têm outra lógica: destinam-se às empresas que não têm dimensão para lançarem as suas próprias plataformas” e que são a imensa maioria dos operadores.

Carlos Vasconcelos, director executivo da MSC Portugal, tem uma opinião diferente: “Pensamos que o nosso projecto se enquadra no Portugal Logístico do Governo, com a vantagem de ser real e concreto e estar em funcionamento dentro de cinco meses”. Sobre os outros projectos em causa, este responsável entende que “se tratam de projectos diferentes e com vertentes próprias”.

Por seu turno, José Silva Teixeira, CEO da construtora DST – que tem a sua própria plataforma em Valença, disse ao Diário Económico que “não queremos concorrer com Leixões, mas antes ser seus parceiros”. “O desenho e a distribuição do plano Portugal Logístico dá lugar para todos”, afirmou. A mais-valia da infra-estrutura da DST é precisamente “a de se encontrar a meio caminho entre as plataformas de Leixões e de Vigo (na Galiza)”.

17/11/2008
Fonte: Diário Económico