Ministro e secretária de Estado dos Transportes reiteram vantagens de projecto "necessário"

Um "maior acesso público" ao Rio Tejo, a retirada diária de mil camiões das estradas e uma maior procura da Linha de Cascais foram algumas vantagens do "necessário" projecto NovAlcântara apontadas quarta-feira pelo Governo num debate em Lisboa.

Um "maior acesso público" ao Rio Tejo, a retirada diária de mil camiões das estradas e uma maior procura da Linha de Cascais foram algumas vantagens do "necessário" projecto NovAlcântara apontadas quarta-feira pelo Governo num debate em Lisboa.

Promovida pela comissão política concelhia do PS, a iniciativa arrancou com intervenções do ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino, da secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, e do presidente da Câmara, António Costa, que reiterou os benefícios referidos pelos membros da administração central acerca do plano, que inclui a ampliação do terminal de contentores, o desnivelamento do nó ferroviário de Alcântara e a promoção da intermodalidade a nível de transportes na zona.

Em defesa de uma maior participação da cidade no crescente movimento europeu e mundial do transporte de mercadorias e passageiros, Mário Lino defendeu que, no Porto de Lisboa, só o terminal de Alcântara possui as condições necessárias para criar boas acessibilidades e receber embarcações que exigem fundos de 15 a 17 metros.
Segundo o ministro, os fundos de Santa Apolónia têm uma altura insuficiente e os da Trafaria "não são estáveis", além de esta zona não permitir disponibilizar acessos rodoviários e ferroviários "adequados".

O responsável garantiu também que o prolongamento do contrato de concessão do terminal à empresa Liscont, que disponibilizará a maior fatia do investimento, foi uma situação "perfeitamente legal" e "necessário" para manter o país na luta por um lugar de destaque no transporte de mercadorias e passageiros.

"Estamos perante duas alternativas: mandar os barcos para os portos espanhóis ou captá-los para o nosso território", afirmou Mário Lino, explicando que esperar pelo fim do contrato com a Liscont, até 2015, seria adiar o alargamento da capacidade do terminal e diminuir a resposta à procura.

O ministro desvalorizou ainda as críticas levantadas sobre o projecto, que diz se referirem apenas ao efeito visual da intervenção: "O impacto visual vai ser menor do que é hoje, com os edifícios que lá estão e com os quais nunca vi ninguém preocupado", afirmou.

De acordo com a secretária de Estado dos Transportes, Alcântara "nunca terá em simultâneo" o milhão de contentores previsto como nova capacidade anual do espaço de estacionamento (contra os actuais 350 mil), ficando apenas preparada para o crescimento do tráfego dos próximos anos.

Ana Paula Vitorino assegurou que o alargamento do terminal permitirá o acolhimento regular de navios com maior profundidade, o alinhamento do cais e o consequente aumento da capacidade de recepção da zona do rio que tem os maiores fundos, e a criação de uma praça de acesso público junto à Gare, numa zona actualmente vedada.
Segundo a secretária de Estado, as restantes intervenções (desnivelamento do nó ferroviário e promoção da intermodalidadedo projecto servirão, por exemplo, para reduzir a viagem de comboio entre Cascais e Entrecampos de 68 para 40 minutos, motivando um aumento da procura daquela linha em 39 por cento.

Também o movimento de camiões TIR na rede municipal e nacional perderá mil veículos por dia, devido às futuras ligações fluviais e ferroviárias entre Alcântara e áreas e plataformas logísticas como as de Castanheira do Ribatejo, Bobadela e Poceirão.

13/11/2008
Fonte: Agência Lusa