Artigos técnicos representam mais de 10% do volume de negócios do têxtil.
Os têxteis técnicos, com elevada incorporação de tecnologia e de inovação, assumem hoje mais de 10% do volume de negócios da indústria têxtil e do vestuário (ITV) nacional, o que representa cerca de 500 milhões de euros.
"Em 2008 os têxteis técnicos representavam cerca de 6%, agora podemos falar em 10 a 12% do volume de negócios da ITV", disse à Lusa Hélder Rosendo, subdirector-geral do Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário de Portugal (CITEVE), à margem da 17º. Fórum Têxteis do Futuro.
Hélder Rosendo reforçou que "há cada vez mais empresas a tentar perceber como podem utilizar a tecnologia que dominam para se dedicarem ao universo dos têxteis técnicos". Para o responsável do CITEVE "é um tipo de posicionamento mais favorável para quem tem de competir com custos de contexto mais elevados que os países de mão-de-obra barata".
Dedicado ao futebol, o Fórum Têxteis do Futuro tem como missão sensibilizar os agentes económicos para a importância dos têxteis no rendimento dos atletas, reunindo um conjunto de empresas com produtos dedicados ao desporto rei.
"Tem um potencial interessante para o sector português ao conjugar a performance do material com a do vestuário", acrescenta Hélder Rosendo.
A SAK Project, empresa de caneleiras personalizadas, é um dos exemplos da conjugação de materiais inovadores com a tecnologia mais avançada para "aumentar a segurança dos futebolistas".
O fundador da empresa explica que "o desafio era fazer um produto de protecção para futebol que fosse mais interessante que o produto comercial que se encontra nas lojas". O resultado foi uma caneleira leve, resistente e adaptada à perna de cada jogador, que é usada pela Selecção Portuguesa e pelo plantel do Chelsea. "Fizemos a apresentação à Selecção Portuguesa e, no regresso às suas equipas, o Paulo Ferreira deu a conhecer aos colegas o produto e fomos chamados para ir a Londres".
Depois de fabricar as caneleiras para os jogadores da equipa inglesa, a SAK Project recebeu uma encomenda especial. "Há umas semanas o Ashley Cole teve uma lesão numa zona onde as típicas caneleiras não protegem e fomos chamados para fazer uma caneleira maior sem pôr em causa o conforto".
O custo das caneleiras fabricadas em Viseu ascende a 150 euros, mas, como o empresário destacou, "o preço é desprezável se tivermos em conta que está em causa a segurança do atleta e que um jogador que esteja parado tem um custo muito elevado para a equipa".
A empresa de meias Gofer investiu mais de um milhão de euros na remodelação do parque de máquinas para se poder aventurar no fabrico de meias desportivas com elevada exigência técnica, que já representam cerca de 15% da facturação de 8 milhões de euros da empresa da Trofa. "Estamos a apostar no desenvolvimento de meias técnicas, nomeadamente para o futebol", diz Joana Gomes, gestora de produção da Gofer, realçando que as novas meias têm elevada capacidade de absorção e de evaporação da transpiração. "O pé não tem contacto com a humidade, dando maior conforto aos jogadores de futebol".
Com as exportações a crescer para a Holanda, França, Suíça e Espanha, a porta-voz da Gofer não tem dúvidas de que "a evolução do têxtil passa pelos artigos técnicos, porque nos básicos há muita concorrência".
24/02/10
OJE/Lusa